São Francisco - Numa cruzada contra a Microsoft, o Google anunciou na semana passada que está desenvolvendo um sistema operacional – o programa que roda as funções mais básicas de um computador – batizado de Chrome OS. Desde então, no mundo da informática, só se fala numa coisa: será o gigante de Mountain View capaz de acabar com o domínio da Microsoft, cujo sistema operacional Windows está presente em cerca de 95% dos PCs de todo o mundo?
O obstáculo é enorme. Gigantes da computação, como IBM e Sun Microsystems, levaram anos tentando destronar a Microsoft, com pouco ou nenhum resultado. Porém, se a ideia vingar, o plano do Google poderá minar não só o Windows, mas também a outra “franquia” multibilionária da Microsoft, o pacote Office.
O que o Google está tentando fazer é justamente colocar o navegador de internet no centro da vida dos usuários de computador, deixando os complicados sistemas operacionais, como o Windows, em segundo plano. Daí o novo sistema ser baseado no navegador de internet do Google, o Chrome, lançado no ano passado.
“Não estou dizendo que os acionistas deveriam pegar seu dinheiro e sair correndo, mas esse é o começo do fim da Microsoft como nós a conhecemos”, disse Jean-Louis Gassee, um investidor de risco que concorreu com a empresa de Bill Gates quando estava na Apple e também na sua própria companhia, a Be. A Microsoft, por enquanto, se recusa a comentar o anúncio do Google ou a ameaça que ele representa.
Internet
A principal tarefa do novo software, que deve estar disponível na segunda metade do ano que vem, será rodar o navegador Chrome para colocar o usuário rapidamente em websites e aplicativos on-line, como Gmail, Google Docs e Facebook.
“Estamos desenhando o OS para ser leve e rápido, para colocá-lo na web em apenas alguns segundos assim que iniciar”, disseram, no blog corporativo do Google, Sundar Pichai, vice-presidente de gerenciamento de produtos, e Linus Upson, diretor de engenharia. “Nós ouvimos muito dos nossos usuários e a mensagem é clara: os computadores precisam melhorar.”
O plano é parte da aposta do Google de que uma imensa mudança na computação mundial está a caminho. Na visão da companhia, as conexões com a internet serão tão rápidas e os navegadores, tão poderosos, que a maioria dos programas que atualmente rodam em PCs serão adaptados para aplicativos on-line – o que vai eliminar a necessidade de gravar, instalar e fazer upgrades nos softwares.
Mas a Microsoft ainda tem suas vantagens. Ela tem sido bem sucedida na tarefa de manter seus parceiros desenvolvendo games e softwares, e investe tempo e dinheiro para ter certeza de que uma vasta gama de aparelhos, como impressoras e câmeras, funcionem bem com seu software.
O novo software do Google será gratuito, mas outros produtos com essa proposta falharam na tentativa de derrubar a Microsoft.
Um punhado de companhias oferecem o sistema Linux como alternativa ao Windows, mas esses programas não ganharam uma fatia de mercado tão importante para enfraquecer a Microsoft. O Chrome OS, assim como o Linux, será “open source” (de código aberto), o que significa que outros programadores poderão modificá-lo.
E mais: o desenvolvimento do Chrome OS dá seus primeiros passos, e não há garantia de que a companhia poderá entregar a promessa. Outros projetos do Google, como o sistema operacional Android, para celulares, tiveram até agora um sucesso apenas limitado.